quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Nepal... um país simplesmente fabuloso (3-18Ago)

Seleccionar um pequeno número de fotos da viagem ao Nepal foi tarefa bastante complicada. 9 pessoas, 7 câmaras... dá um número muito elevado de fotos. 


15 dias, 5 cidades, muitas aventuras, viagens de autocarro (algumas no tejadilho), muitos encontros ocasionais, visitas a escolas primárias, um povo pobre e muito simples mas sempre simpático e sorridente, paisagens lindas... numa palavra: Inesquecivel!

Lumbini, a primeira "cidade" que visitamos (entre aspas porque tinha quase menos habitantes que o meu prédio!)

Uma das centenas de fotos (literalmente) de crianças nepalesas

Passeio de elefante em Chitwan (a segunda "cidade")

Tomar banho com os elefantes. Mais uma experiência inesquecivel

Depois de nos mandar a àgua o elefante compensava ajudando-nos a subir pela tromba

O grupo completo. Da frente para trás: Zé (C11 em Bangalore), Kwame (já dispensa apresentações), Indira (irmã do Kwame), Eu, Jaime (C11 em Bangalore), João (primo), Leonor (prima), Ana (minha irmã) e Marta (prima)

Uma casa tradicional numa pequena vila no Nepal

Pokhara, a terceira cidade (reparem que já não aparece entre-aspas). Lago lindissimo onde alugamos um barquinho a remos

Imagem tradicional do Nepal (e uma das minhas preferidas da viagem): mulheres a cultivar um campo de arroz

Grupo que participou no rafting. Para além do nosso bando juntaram-se três espanhóis e uma australiana

A subir para o tejadilho do autocarro. Quando este se encontrava lotado era esta a solução

Uma dessas viagens

Pequeno aglomerado de casas no topo de uma montanha

No topo de uma montanha, após mais um trekking e com o novo amigo espanhol que a nós se juntou por cinco dias

Vista sobre o vale no topo da montanha em que fizemos trekking


Imagens da mais simples e pacata vila onde estivemos: Bandipur. De uma beleza extraordinária e um local longe de ser descoberto pelas massas de turistas que inundam o Nepal anualmente



Imagens de um pequena cidade perto de Katmandu, Bhaktapur

Ainda em Bhaktapur: criança a dormir com os pombos a voar por trás

O mais surreal episódio da viagem aconteceu mesmo no fim. Saímos de Katmandu com destino a Darjeeling (Nordeste indiano). Uma viagem de deveria demorar 17horas de autocarro (13h) e de jipe (4h). Saímos às 4 da tarde de dia 18. Um autocarro com idade para a reforma há muito, estradas de montanha com curva contra curva, paragem de 30min por causa de um acidente, música nepalesa (que não é, como devem imaginar, propriamente a melhor), sucessivas paragens em "estações de serviço" (esta deveria ser colocada entre muitas aspas). Contudo, com isto pudemos nós bem, mas o pior estava para acontecer! Ao fim de 15horas dentro do autocarro (portanto já deviamos estar a andar de jipe), este encosta na berma da estrada onde se encontravam mais umas dezenas de autocarros. Começa um burburinho e nós portugueses completamente desorientados. O que se estaria a passar? Lá conseguimos que nos explicassem o sucedido. Os autocarros já não podiam mais passar daquele ponto porque a estrada estava completamente inundada! Tempo de espera: na melhor das hipóteses um ou dois dias, mas na pior... quinze dias!!! Olhando para todo aquele cenário e incertezas quanto ao tempo de espera só viamos um soluçao possível: regressar a Katmandu e apanhar um avião. Perguntamos se era essa a decisão que iria ser tomada quando para nosso espanto a resposta foi um Não. Não passava pela cabeça daquela gente fazer o percurso inverso. Começamos a ver a vida a andar para trás... O que fazer? Felizmente passou um autocarro no sentido inverso que ia para Katmandu. Foi a salvação! Conclusão: 30horas depois, 800km (sim, é ridiculo, mas em 30 horas limitamo-nos a andar 800km... imaginem o desespero!), e menos 20euros no bolso estavamos de volta ao ponto de partida! Pois bem, esta foto foi tirada momentos depois de percebermos a embrulhada em que estavamos metidos...

As tais "estações de serviço". Sombrias, pouco higiénicas onde se aproveitavam os ovos cozidos e a meia-duzia de artigos que não passava o prazo de validade

Os Himalais vistos do avião de regresso a Déli. Se ampliarem a foto percebem que aquilo lá ao fundo não são nuvens

Sri Lanka (26Jul - 1Ago)

Um país que só não nos agradou mais porque os locais são muito parecidos com os indianos!

Começamos por nos deslocar para norte. Este é um dos pontos obrigatórios para os turistas: Sigiryia. No topo é possível ver algumas ruínas que datam do séc. V. Impressionante se pensarmos como é que há 1500 anos atrás conseguiram chegar lá...

Dentro da rocha gigante ainda foi possível ver estas gravuras. Não era nada de especial mas gostei da foto

Como disse alguém, esta é uma das imagens de marca do C11 India

Brincadeiras com a máquina. Perdemos cerca de uma hora com estes saltos e esta ainda foi a melhorzita

Kandy uma pequena cidade no centro do Sri Lanka. Muito bonita mas, como em muitos sítios, sem grande vida

Kandy com o seu lago

Uma mercearia em Kandy. Tão tipica, tão tradicional, tão igual a tantas outras... e tão diferente das nossas

A caminho de Adam's Peak deparamo-nos com esta bela queda-de-água



Paisagens na aldeia mais próxima de Adam's Peak. De referir que havia na aldeia seis turistas, sendo nós logo quatro

O objectivo de ir ao Adam's Peak era fazer trekking e atingir o topo que tem uma das mais bonitas vistas do Sri Lanka. Vários problemas surgiram: 1) levantar as 4 da manha...; 2) Três horas para subir, mais duas para descer com uns ténis apertadíssimos; 3) Eu e o Zé termos chegado meia-hora depois do Kwame e do Jaime e termos que ouvir piadas durante praticamente um mês (e tenho a certeza que mais virão); 4) finalmente o último e o pior: o tempo estava nublado e não se via um palmo à frente do nariz assim que atingimos o topo! De qualquer das formas, lá em cima entramos nesta pequena casa onde dois homens habitam seis meses sem se deslocarem à cidade. Com eles ainda bebemos chá e comemos umas bolachas. Mais uma óptima experiência

Estoirado, com um pau a servir de bengala, com os tais ténis apertadíssimos, encharcado mas pelo menos com a alegria de quem já está a descer!

Enquanto nós nos queixavamos da subida cruzamo-nos com vários trabalhadores que carregavam sacos pesadíssimos para obras de renovação do percurso...

Ainda no mesmo dia do trekking desgastante ainda conseguimos acabar o dia na praia. Que bem que soube...

Já em Colombo, Kwame e as suas criancices...


Lago no centro de Colombo

Num bar em Colombo com a luz demasiado forte... Para piorar mudava de vermelho para azul e para verde num instante e dava completamente cabo dos olhos

No mesmo bar: "Sexual harassment in this area will NOT be reported". Basicamente, em português simples: Aqui podem atirar-se às meninas da forma que quiserem que ninguém vos vai chatear

Nota introdutória (aos capítulos finais)

Após uma ausência bastante prolongada cá me encontro eu de novo a escrever no blog para dar por encerrado mais um capítulo da minha vida. 


Estive ausente das escritas porque andei em viagens no último mês e meio. Comecei pelo "porreirinho" Sri Lanka, passei pelo fantástico Nepal e acabei no norte da India para descobrir que afinal ainda é possível gostar de algumas regiões da Índia (e confesso... de alguns indianos também). 

Uma vez que são milhares as histórias destas viagens e não ando com muito tempo (e vá, admito que ando com alguma preguiça) prefiro que os posts sobre essas viagens sejam apenas algumas das fotos (e a selecção não foi nada fácil... escolher entre 21 gigas de fotos só do Nepal e norte da Índia deu uma trabalheira). 

Espero que gostem das fotos que se seguem nos próximos três posts (logicamente divididos pelos três países que visitei). 

Beijos e abraços e até já

terça-feira, 22 de julho de 2008

O nosso Hotel internacional

Durantes estes 7 meses de estadia a nossa casa tem sido um autêntico hotel multi-nações. Por cá já dormiram dezenas de pessoas das mais diversas nacionalidades. Desde portugueses a franceses, passando por finlandeses, alemães, brasileiros, canadianos e até colombianos. Foram tantos que lhes perdemos a conta. Por cá passaram familiares, amigos dos tempos de erasmus, amigos de Portugal ou simplesmente pessoas que nem conheciamos e que eram amigos de amigos ou familiares de amigos. Contas feitas por alto, mais de 30 pessoas já passaram por este “hotel”. Os nossos mais recentes hóspedes são os 4(!!!) portugueses da edição seguinte à minha do INOV Contacto. Desde há alguns dias que nesta casa (de dois quartos) estão a viver seis pessoas. Nunca a casa teve tanta animação (e já agora, nunca se sujou tão depressa...) comos nos últimos dias.
As próximas hóspedes: a minha irmã e as minhas primas.

A todos os que cá passaram um sincero Obrigado. A conta será enviada por correio nos próximos dias. Agradecemos confirmação da recepção da mesma e que o pagamento seja efectuado no prazo máximo de 5 dias úteis. Aceitamos dinheiro (Euros ou Rupias), cheques e transferências bancárias. Não aceitamos cartões de crédito pelo que pedimos desculpa por qualquer incómodo causado.

A Gerência, 22 de Julho de 2008

Indianos e o nosso amor por eles...

Durante os diversos posts que fui escrevendo ao longo desta minha experiência em terras indianas penso que deixei relativamente bem claro o meu sentimento em relação a este povo. Mas o que dizer quando o rapaz que costuma vir buscar e trazer as nossas roupas para a lavandaria aparece, com o maior dos descaramentos, vestido com uma t-shirt do Kwame?

domingo, 20 de julho de 2008

Fim-de-semana em Varanassi

Descrever este fim-de-semana numa única palavra é muito simples: foi um fim-de-semana autenticamente surreal!

O grupo era formado por 8 pessoas: quatro franceses e quatro portugueses (eu, o Kwame, o Bernanrdo e o Telmo, recem-chegados a Déli integrados na edição seguinte à minha do INOV Contacto)

Tudo começou na quinta-feira com uma saída nocturna que durou até altas horas da madrugada. Como resultado directo dessa noitada perdemos o comboio da 1h da tarde para o qual tinhamos os bilhetes comprados. De nada adiantou sair à pressa de casa sem banho tomado e correr loucamente pela estação sob temperaturas superiores a 35ºC.
Após muito tempo perdido (e com a ajuda de um amigo indiano) lá conseguimos comprar bilhete para o comboio das 6h30. O único problema é que teria que ser na classe Sem Ar-condicionado...
Desta vez lá conseguimos apanhar o comboio e cedo percebemos que ia ser uma viagem longa: 13horas sem ar-condicionado, rodeados de indianos, com janelas abertas e insectos a entrar por tudo quanto era lado... Achamos nós na altura que aquilo eram más condições... mas nada nos fazia prever a viagem de regresso... Adiante.
Por volta das 7h30 da manhã chegamos finalmente ao destino. Já tinhamos uma Guest House referenciada pelo que pousamos as malas e fizemo-nos às ruas de Varanassi com um guia indiano (que ainda estou para perceber de onde apareceu).

Para quem não sabe, Varanssi é conhecida pelo rio que a banha, o Ganges, onde são depositadas as cinzas dos corpos cremados nas suas margens. Contudo há excepções: crianças, grávidas, mortes por veneno de cobra ou por malária são atirados directamente ao rio sem serem cremadas.

E foi precisamente com um destes casos com que fomos presenteados logo ao ínicio. Mal chegamos às margens do rio deparamo-nos com o funeral de uma criança... Era impossível pedir um choque inicial maior. O resto do dia passou-se tranquilamente a visitar as ruas de Varanassi, uma fábrica da seda (obviamente acompanhada de uma visita à loja), templos e pouco mais. Ao fim da tarde, já estoirados fomos para o hotel dormir uma sesta. Não mais saimos do hotel nesse dia terminando a noite com um jogo de poker no hotel que durou até as 4h da manha. Não foi a melhor das ideias porque no dia seguinte tinhamos combinado sair as 5h da manha para um passeio de barco pelo rio.
Com grande esforço e sacrificio lá nos levantamos para o nosso passeio. Mais choques culturais... entre ver pessoas a tomarem banho no rio (para lavarem os seus pecados) e mais funerais tivemos ainda o previlégio de ver dois corpos a boiar no rio...
Findo o passeio voltamos ao hotel para o pequeno-almoço e aproveitar para dormir mais um pouco. O resto do dia foi passado nas ruas de Varanassi com guias improvisados que nos iam chateando a cabeça apesar dos diversos avisos de “não levarão dinheiro nenhum de nós”.
Chegou então a hora de ir embora. Todo o fim-de-semana tinha sido surreal e apenas conseguiamos pensar no comboio de regresso onde tinhamos comprado bilhetes para a classe com ar-condicionado. Pura ilusão... tinhamos comprado bilhetes para a classe com ar-condicionado mas os bilhetes estavam em lista de espera! O caos! E agora o que fazer? Dica que nos deram: ponham-se dentro do comboio e ocupem os lugares vazios! Lugares vazios? Quais lugares vazios? Ainda conseguimos nas primeiras duas horas mas depois todos foram ocupados nas estações seguintes. A única solução que conseguimos encontrar foi passar a restante viagem (entre 10 a 11 horas) naqueles espaços minusculos entres as carruagens...
Dizer que foi um fim-de-semana surreal acho que é dizer pouco... Só na India!

Divirtam-se com as fotos e vídeo.



Estação de comboios de Nova Déli

Bernardo (suado) e indiano

Aspecto da carruagem sem ar-condicionado

Estação de Varanassi

Funeral de uma criança

Corpo da criança atirado ao rio

Bernardo e um indiano

Trabalho infantil numa fábrica de seda

Nas ruas de Varanassi

Mercado de Varanassi

Na India sê indiano

Corpo a boiar no rio Ganges

Indianos a banharem-se nas margens do rio

O grupo (excluindo eu). Da esquerda para a direita: Telmo (C12), Flo (francesa), Kwame (C11), Ben, Alexis e François (franceses) e Bernardo (C12)

A Companhia Indiana de Caminhos-de-Ferro tem o certificado ISO9001... priceless!